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Notícia Notícias Cripto

Cripto: SEC abre espaço para a autocustódia em fundos

A SEC quer mudar profundamente a forma como consultores financeiros e fundos americanos podem custodiar criptos. Em 1º de outubro, o regulador propôs um novo marco que permitiria, sob certas condições, a autocustódia de criptoativos, o uso de empresas fiduciárias autorizadas pelos estados como custodians e um acesso mais amplo a estratégias de investimento em cripto. Para Paul Atkins, algumas regras atuais pertencem a uma época em que os ativos financeiros ainda circulavam em papel.

Uma gestora segura uma chave de segurança diante de um cofre institucional enquanto um documento é analisado
A SEC propõe um marco para a autocustódia sob certas condições, sem autorização imediata para os fundos.

SEC aceita a ideia de autocustódia de cripto

A mudança mais importante diz respeito à custódia direta dos ativos.

Essa orientação dá continuidade à mudança regulatória já iniciada pela SEC sobre as vendas de tokens.

Atualmente, os registered investment advisers que controlam os fundos ou títulos de seus clientes geralmente precisam recorrer a um “qualified custodian”, como um banco ou determinados corretoras regulamentadas. Essa estrutura se torna complexa no mercado cripto, onde alguns ativos, protocolos ou funcionalidades simplesmente não são suportados por esses participantes.

Paul Atkins já havia indicado essa direção em 14 de setembro: a SEC deveria construir um marco que respondesse “sim” à autocustódia, mas apenas em determinadas circunstâncias e com proteções adequadas. Ele justificou a mudança, entre outros motivos, pela ausência de um custodian terceiro qualificado para certos ativos digitais.

A ressalva é importante. Um consultor não poderia simplesmente armazenar as chaves privadas em um computador e considerar o problema resolvido. A proposta busca estabelecer um marco regulado, com exigências de proteção, governança, controle e segurança dos ativos dos clientes.

Assim, a SEC parece menos interessada em eliminar a custódia do que em reconhecer que, em alguns casos, a tecnologia que permite ao gestor controlar diretamente as chaves pode constituir uma solução completa de custódia.

Para a indústria cripto institucional, trata-se de uma mudança significativa.

State trusts também ganham espaço

A segunda mudança envolve as State Trust Companies.

Essas empresas fiduciárias autorizadas no nível de um estado americano poderiam assumir um papel muito mais claro como custodians de criptos para consultores e fundos.

O terreno já havia sido preparado em setembro de 2025. Na ocasião, a equipe da SEC informou que não recomendaria processos contra determinados consultores e fundos que tratassem uma State Trust Company como um banco autorizado a custodiar ativos digitais, desde que várias proteções fossem respeitadas.

Entre elas estavam auditorias independentes, controle dos procedimentos de cibersegurança, segregação dos ativos dos clientes, proibição de emprestar ou oferecer as criptos em garantia sem autorização e análise regular do custodian.

A nova proposta agora busca incorporar esse tipo de abordagem a um marco regulatório mais duradouro.

Nem todas as vozes dentro da SEC, porém, veem essa abertura da mesma forma. A comissária Caroline Crenshaw já havia alertado, em 2025, que algumas empresas fiduciárias estaduais não estão sujeitas aos mesmos mecanismos de supervisão dos bancos federais e que as proteções podem variar significativamente de uma jurisdição para outra.

O debate, portanto, diz menos respeito à capacidade técnica de custodiar criptos e mais ao nível de garantias exigido em torno dessa atividade.

Hester Peirce já criticava as antigas regras da SEC por serem inadequadas ao funcionamento dos ativos digitais. Agora, essa lógica é aplicada diretamente à custódia.

Fundos poderão avançar muito mais no mercado cripto

A custódia não é um detalhe administrativo.

Se um fundo não pode custodiar legalmente um ativo ou usar um custodian adequado, muitas vezes não consegue estruturar a estratégia de investimento que depende desse ativo. Esclarecer as regras de custódia pode, portanto, abrir indiretamente espaço para mais estratégias cripto entre fundos regulamentados.

A SEC afirma que pretende eliminar algumas barreiras que impedem os consultores de oferecer aconselhamento relacionado a criptos e permitir que fundos regulamentados tenham acesso a uma gama mais ampla de estratégias envolvendo ativos digitais.

Isso pode envolver muito mais do que Bitcoin ou Ether mantidos passivamente.

Staking, ativos tokenizados, determinados protocolos on-chain e produtos que exigem interação direta com uma blockchain se tornam muito mais complexos quando o fundo é obrigado a manter os ativos com um terceiro que não oferece suporte a essas funcionalidades.

Esse é exatamente o problema destacado por Paul Atkins: as atuais regras de custódia foram escritas para uma infraestrutura financeira muito diferente. O próprio roteiro regulatório da SEC descreve a reforma como uma modernização necessária de regras que se tornaram obsoletas diante da evolução das práticas de custódia e negociação.

A proposta, no entanto, ainda não está em vigor.

O público terá 60 dias após a publicação do texto no Federal Register para enviar comentários. Depois disso, a SEC poderá alterar o projeto antes de uma eventual votação final. Portanto, consultores e fundos não devem interpretar o anúncio como uma autorização imediata para a autocustódia.

A direção, porém, está muito clara.

Depois de esclarecer, em março, o tratamento jurídico de várias categorias de ativos digitais e, em agosto, propor seu novo regime para determinadas vendas de tokens, a SEC agora aborda uma questão muito mais prática: quem pode efetivamente custodiar as criptos utilizadas pelas instituições americanas?

Se o marco final preservar a essência desta proposta, o mercado cripto institucional americano não dependerá necessariamente de um pequeno grupo de custodians tradicionais para cada estratégia.

E, desta vez, a mudança não diz respeito apenas à forma de comprar Bitcoin. Ela afeta diretamente a maneira como Wall Street pode custodiar, administrar e utilizar ativos on-chain.

Fontes citadas1
BrefCrypto Notícias sobre cripto na África e no mundo
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Tricia Bukili